quinta-feira, 27 de novembro de 2008
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
A filosofia biker
Por que você pedala?
Texto de Rafael Baena Neto
Por que você pedala? Porque é gostoso? Porque emagrece? Então fique sabendo que pedalar pode trazer a você um benefício bem maior do que endorfinas a mais e gordurinhas a menos.
Pedalar pode transformar você num cara mais legal.
Ou como diriam os budistas, num cara iluminado, um ser humano mais desenvolvido e tal.
A bike vai te conduzir a um estado de consciência superior, brother. Não estamos falando de religião.
É outra coisa.
E não me chame de guru, porque quem vai fazer isso é a bike e não eu. Os resultados começarão a aparecer logo depois da primeira pedalada mas leva bem uns dez anos para a grande transformação. Você vai se tornar um cara admirado e o melhor: não vai dar a mínima para isso.
Legal, não?
Então vamos lá, pequeno gafanhoto, colha estas linhas de conhecimento plantadas pelos bikers que o precedem e conduza sua própria evolução nesta senda. Sorria. Quando quebrar a bike do seu amigo no meio da trilha, sorria. Quando encontrar seus companheiros de pedal, sorria. E sorria naquele subidão com sol escaldante. Aquela cara de atleta macho de comercial de Gatorade não vai tornar as coisas mais fáceis e, hoje em dia, não engana mais ninguém.
Seja auto-suficiente. Leve toda água de que vai precisar, todas as Barras energéticas, as ferramentas, bomba de encher pneu e câmaras de ar sobressalentes. Não tem nada mais chato do que um escroque que não leva nada para não ter que carregar peso e melhorar sua performance.
Seja generoso. Ofereça com humildade suas frutas cristalizadas, água e se disponha a ajudar seus companheiros em dificuldade. Lembre-se que o escroque é ele (se for o caso) e não você.
Aprenda a fazer a manutenção da sua própria bicicleta. E faça. Pelo menos o básico: limpeza e lubrificação, regulagem de câmbio e freio, mesmo que gaste dias para isso.
Respeite o trabalho do mecânico. Não queira saber mais que ele. E se souber, fique quieto.
Mantenha sua bike sempre em boas condições, mesmo que ela seja antiga.Uma vez fui pedalar com um cara que tinha a lateral dos pneus toda desfiada, a câmara saia em vários pontos do pneu, formava uma bolha e estourava. Não havia manchão que desse conta.
Nunca pergunte quanto seu amigo pagou na bicicleta nova. Pode ser uma ofensa grave.
Seja honesto quando for vender sua bike e peças. Prefira produtos de empresas que patrocinam ciclistas.
Durante as pedaladas, drops e saltos, elogie o desempenho dos outros camaradas, mesmo os menos experientes.
Cumprimente os desconhecidos que passarem por você.Ciclistas ou não e principalmente aquele tiozinho numa carroça ou a cavalo que mora ali no meio do mato. Você é quem é o estranho e quem está na casa dos outros!
Jamais diga para sua esposa ou namorada que o mountain biking é mais ou menos importante que ela. Diga apenas que são coisas absolutamente diferentes e por isso não se comparam. Se você realmente achar que a bike é mais importante que sua mulher, provavelmente você está com a mulher errada ou tem problemas de auto-afirmação.
Pedale em direção ao pôr do sol pelo menos uma vez na sua vida.
Pedale na chuva, na lama, no frio, à noite, sob sol escaldante, de madrugada. Explore todas as sensações. E sinta a alegria de poder estar ali. Aliás, agradeça papai do céu por você ter a saúde necessária pra poder pedalar.Lembre-se: sem saúde, tudo fica mais difícil.
Faça sua viagem de peregrinação (de bike, lógico).
Tome cuidado para não passar mais tempo lendo revista de bicicleta do que pedalando.
Feche as porteiras e leve seu lixo sempre. Nada mais incoerente do que olhar aquela linda paisagem no fim de uma subida e nos barrancos ao lado olhar pra garrafas pet , embalagens de barra de cereal e latas de gatorade.
Ensine uma criança a andar de bicicleta. Ela nunca mais vai esquecer você.(filho seu não conta).
Invente uma boa desculpa e mate uma manhã no trabalho para ir pedalar. Você não acredita como isso vai fazer se sentir vivo.
Se você tem mais de dez anos de pedal, faça uma tatuagem com tema de bicicleta. Se tem menos tempo, não ouse. Você pode resolver mudar de esporte e não ter nada para dizer.
Não se compare. Sempre vai haver um cara melhor e um pior que você.
Nunca reclame.
Só fale sobre mountain biking entre mountain bikers.Para as outras pessoas limite-se a responder só o queperguntarem. Nunca toque no assunto, seu chato!
Rafael Baena Neto
Texto de Rafael Baena Neto
Por que você pedala? Porque é gostoso? Porque emagrece? Então fique sabendo que pedalar pode trazer a você um benefício bem maior do que endorfinas a mais e gordurinhas a menos.
Pedalar pode transformar você num cara mais legal.
Ou como diriam os budistas, num cara iluminado, um ser humano mais desenvolvido e tal.
A bike vai te conduzir a um estado de consciência superior, brother. Não estamos falando de religião.
É outra coisa.
E não me chame de guru, porque quem vai fazer isso é a bike e não eu. Os resultados começarão a aparecer logo depois da primeira pedalada mas leva bem uns dez anos para a grande transformação. Você vai se tornar um cara admirado e o melhor: não vai dar a mínima para isso.
Legal, não?
Então vamos lá, pequeno gafanhoto, colha estas linhas de conhecimento plantadas pelos bikers que o precedem e conduza sua própria evolução nesta senda. Sorria. Quando quebrar a bike do seu amigo no meio da trilha, sorria. Quando encontrar seus companheiros de pedal, sorria. E sorria naquele subidão com sol escaldante. Aquela cara de atleta macho de comercial de Gatorade não vai tornar as coisas mais fáceis e, hoje em dia, não engana mais ninguém.
Seja auto-suficiente. Leve toda água de que vai precisar, todas as Barras energéticas, as ferramentas, bomba de encher pneu e câmaras de ar sobressalentes. Não tem nada mais chato do que um escroque que não leva nada para não ter que carregar peso e melhorar sua performance.
Seja generoso. Ofereça com humildade suas frutas cristalizadas, água e se disponha a ajudar seus companheiros em dificuldade. Lembre-se que o escroque é ele (se for o caso) e não você.
Aprenda a fazer a manutenção da sua própria bicicleta. E faça. Pelo menos o básico: limpeza e lubrificação, regulagem de câmbio e freio, mesmo que gaste dias para isso.
Respeite o trabalho do mecânico. Não queira saber mais que ele. E se souber, fique quieto.
Mantenha sua bike sempre em boas condições, mesmo que ela seja antiga.Uma vez fui pedalar com um cara que tinha a lateral dos pneus toda desfiada, a câmara saia em vários pontos do pneu, formava uma bolha e estourava. Não havia manchão que desse conta.
Nunca pergunte quanto seu amigo pagou na bicicleta nova. Pode ser uma ofensa grave.
Seja honesto quando for vender sua bike e peças. Prefira produtos de empresas que patrocinam ciclistas.
Durante as pedaladas, drops e saltos, elogie o desempenho dos outros camaradas, mesmo os menos experientes.
Cumprimente os desconhecidos que passarem por você.Ciclistas ou não e principalmente aquele tiozinho numa carroça ou a cavalo que mora ali no meio do mato. Você é quem é o estranho e quem está na casa dos outros!
Jamais diga para sua esposa ou namorada que o mountain biking é mais ou menos importante que ela. Diga apenas que são coisas absolutamente diferentes e por isso não se comparam. Se você realmente achar que a bike é mais importante que sua mulher, provavelmente você está com a mulher errada ou tem problemas de auto-afirmação.
Pedale em direção ao pôr do sol pelo menos uma vez na sua vida.
Pedale na chuva, na lama, no frio, à noite, sob sol escaldante, de madrugada. Explore todas as sensações. E sinta a alegria de poder estar ali. Aliás, agradeça papai do céu por você ter a saúde necessária pra poder pedalar.Lembre-se: sem saúde, tudo fica mais difícil.
Faça sua viagem de peregrinação (de bike, lógico).
Tome cuidado para não passar mais tempo lendo revista de bicicleta do que pedalando.
Feche as porteiras e leve seu lixo sempre. Nada mais incoerente do que olhar aquela linda paisagem no fim de uma subida e nos barrancos ao lado olhar pra garrafas pet , embalagens de barra de cereal e latas de gatorade.
Ensine uma criança a andar de bicicleta. Ela nunca mais vai esquecer você.(filho seu não conta).
Invente uma boa desculpa e mate uma manhã no trabalho para ir pedalar. Você não acredita como isso vai fazer se sentir vivo.
Se você tem mais de dez anos de pedal, faça uma tatuagem com tema de bicicleta. Se tem menos tempo, não ouse. Você pode resolver mudar de esporte e não ter nada para dizer.
Não se compare. Sempre vai haver um cara melhor e um pior que você.
Nunca reclame.
Só fale sobre mountain biking entre mountain bikers.Para as outras pessoas limite-se a responder só o queperguntarem. Nunca toque no assunto, seu chato!
Rafael Baena Neto
Esse é um artigo muito legal que achei na rede.Espero que curtam e reflitam.
Abraços.
BIKE
Por que as bicicletas e equipamentos profissionais no Brasil são tão caros?
Texto de Eder Giovani Savio
Ciclistas não são Palhaços
PARTE I
Tecnologia cara e falta de referências reais.
Toda vez que falo que um amortecedor de bike não pode custar R$ 5.000,00 porque o de uma moto dual purpese comum, no Brasil, custa menos de R$ 1000,00, o pessoal responde indignado dizendo que estou comparando um amortecedor de bike top line com um amortecedor de moto comum. Pois bem, o da moto, mesmo sendo comum, é muito mais forte, tem empregado em si muito mais material e funciona muito melhor. O que importa se a moto é top ou base line? É claro que sei que o material empregado nas peças de bikes são mais nobres devido à necessidade de leveza. Mesmo assim, não esqueçamos da afirmação inicial: A diferença de preço é assustadora.
Alego, também, que é um absurdo um pneu de bike custar R$ 300,00, equanto um pneu de carro 1.0 custa R$ 90,00. Aí me respondem que um pneu especial de Jipe custa R$ 350,00 e é mais caro porque tem tecnologia empregada, assim como o de bike. Desculpem-me, mas continua intacto o raciocínio acima. Esse pneu de R$ 350,00 tem material para fazer pelo menos 20 pneus de bike, e o frete dele é bem mais caro, porque pesa mais também. Então, produto de tecnologia por outro, o de Jipe deveria custar R$ 7000,00, seguindo o padrão de preço das bikes.
Dizem-me que um câmbio XTR é algo quase perfeito e muito leve, o que justificaria o altíssimo preço. Com o devido respeito, peguem um câmbio desses na mão e verifiquem onde estão os R$ 500,00 que pedem por ele! Ora, um câmbio alemão Sachs/Sram com sete marchas internas, que podem ser trocadas com a bicicleta parada, da primeira para a sétima, por exemplo, custa DM 160,00 (cento e sessenta marcos), menos de R$ 150,00! Esse câmbio tem durabilidade muito grande e custa muito menos que um XTR. Ah! Então por que o pessoal não usa? Não usa aqui! Na Europa todo mundo está usando para Down Hill o Dual Drive Sachs, com sete catracas e três marchas dentro do cubo.
Motocicletas importadas para competição de Moto Cross chegam ao Brasil pelo dobro do preço de uma bike de down hill. Só que a motocicleta tem motor e peças extremamente reforçadas para agüentar a força de dezenas de Horse Power e não apenas das pernas de um ciclista. Têm sistema elétrico e tudo mais. Se seguissem a lógica dos preços da bike deveriam custar o preço de uma Ferrari.
Bom, mas o pessoal não desiste, dizem-me que o consumo de peças de bike desse nível é muito baixo, portanto o custo é caro. Ora, aqui na minha cidade conheço várias dezenas de pessoas com bikes com peças nobres da Shimano, por exemplo, e não sei nem de cinco com motos RY 125 da Yamaha, por exemplo. Não serve como desculpa, a produção mundial para peças de mountain bike é enorme e a mesma fábrica que produz peças caras também produz as populares vendidas em massa pelo mundo todo, basta entrar em um super-mercardo e ver quantas bicicletas a venda estão equipadas com câmbios Shimano.
Ciclistas Conscientes e Ciclistas Iludidos
Por que muitos ciclistas defendem um sistema que vilipendia a si mesmos? Por que defendem aqueles que tiram seu dinheiro para dar-lhes em troca uma tecnologia de falácia, de baixa resistência, que tem que ser reposta a cada dois ou três anos de uso regular? Essa questão me intrigou um bocado, mas depois, comecei a observar atentamente o pessoal do mundo bike e procurei em mim mesmo vestígios dos momentos em que senti orgulho dos componentes da minha bike e encontrei algo interessante.
Respondendo: Por que ciclistas defendem os altos preços?
Existem pelo menos quatro motivos, mas um sobressai flagrantemente e provocará reações adversas contra minha pessoa só pelo fato de afirmar isso:
1) Bicicleta, na sociedade atual, é meio de transporte de pobre, denota falta de condições financeiras, então o sujeito de classe média que gosta de bicicletas boas tem medo de ser confundido com o estrato social mais baixo e sente orgulho em afirmar "só esta corrente custa oitenta reais", "só esta pecinha custa duzentos reais". Sentem-se diferenciados das pessoas que usam bicicletas por necessidade e isso, para a classe média de comportamento distorcido pela mídia consumista, sempre preocupada em ostentar mais do que pode, é um canto de sereia irresistível. Observe-se que em países como a Alemanha, onde as diferenças sociais são tênues, peças de altíssimo nível tecnológico e extremamente resistentes, como um torpedo Sachs/Sram de 7 marchas internas ou um jogo de freios a disco hidráulicos Magura 2001 custam apenas DM 160,00 (cento e sessenta marcos), menos de R$ 145,00, o que é uma quantia irrisória para o padrão do operariado alemão. Isso evidencia a tese, pois ausente esse fator psicológico de consumo, ausente pessoas dispostas a pagar preços superestimados, presente o preço mais justo praticado pelo sistema.
2) Pessoas ávidas por qualidade iludem-se pensando que a conseguiram por ter pago um preço alto. Mas estes logo se revoltam ao deparar com a realidade, qual seja, a alta qualidade quebra logo, desgasta, apresenta folgas, etc. "Ah, mas você está usando a bike com muito rigor!". Bom se é para usar moderadamente para ela durar bastante, prefiro as bicicletas inglesas de cinqüenta ou sessenta anos de idade que os velhinhos de Nova Veneza/SC têm. Dentro desse grupo estão aqueles conscientes dos altos preços, mas que não vislumbram saída, pois não abrem mão da performance proporcionada.
3) Pessoas que fazem parte do sistema do mundo das bikes e querem que circule cada vez mais dinheiro, pois isso, honestamente, os beneficia, como competidores, lojistas, mecânicos, e pessoas que trabalham no comércio e na indústria. Um exemplo claro desse comportamento foi o do mundo futebolístico brasileiro em 1998. Qualquer pessoa isenta tinha certeza de que a França comprara a Copa do Mundo, mas os integrantes do mundo futebolístico negavam isso a todo custo, pois isso destruiria a ilusão popular e lhes tolheria os empregos.
4) Pessoas preocupadas em superar os colegas ou rivais, demonstrando equipamento superior, o que é medido pelo preço. Essas pessoas entram em intercessão forte com o item "1" acima, em intercessão média com o item "2" e intercessão fraca com o item "3".
Observe-se que as pessoas do item "3", que são as que tomam as decisões no mundo bike, beneficiam-se do comportamento das pessoas dos itens "1", "2" e "4".
Quem pode mudar essa realidade?
Apenas uma mudança radical de comportamento poderia modificar a situação, provocando aumento de durabilidade e baixa de preços, devido a exigência do mercado, que é composto por nós.
Talvez essa mudança não se compartimente apenas ao ciclismo, mas careça de uma revolução filosófica que tenha como substância a correta hierarquização de valores. Nossa sociedade deve acordar do sono em que se encontra, amortizada da realidade pelos fugazes prazeres do consumo sem objetivos claros e realistas. Vale a pena trocar seu automóvel semi-novo por um zero, se o seu não dá qualquer problema? Devemos continuar alimentando com bio-energia esse monstro que nos aprisiona? (Vide cinema - Matrix).
Vislumbro uma sociedade livre em que se valorize mais a estabilidade social que o lucro desenfreado. Isso não é uma utopia, pois já está ocorrendo nos países nórdicos.Você acredita nesse objetivo?
Os indivíduos sensatos, adaptam-se ao mundo que os cerca; os inconformados, passam a vida toda tentando adaptar o mundo à sua maneira de pensar. Entretanto, toda nossa evolução e progresso ocorreu graças a inconformados ... (George Bernard Shaw)
Converse com seus amigos ciclistas, plante essa semente em seus corações! Só comprem bicicletas novas, peças e acessórios se realmente for necessário. Gaste seu dinheiro passeando e curtindo a bike-vida! Logo vão nos oferecer algo melhor que peças que duram um ano.
Eder Giovani Savio - bike@eder.com.br
Abraços.
BIKE
Por que as bicicletas e equipamentos profissionais no Brasil são tão caros?
Texto de Eder Giovani Savio
Ciclistas não são Palhaços
PARTE I
Tecnologia cara e falta de referências reais.
Toda vez que falo que um amortecedor de bike não pode custar R$ 5.000,00 porque o de uma moto dual purpese comum, no Brasil, custa menos de R$ 1000,00, o pessoal responde indignado dizendo que estou comparando um amortecedor de bike top line com um amortecedor de moto comum. Pois bem, o da moto, mesmo sendo comum, é muito mais forte, tem empregado em si muito mais material e funciona muito melhor. O que importa se a moto é top ou base line? É claro que sei que o material empregado nas peças de bikes são mais nobres devido à necessidade de leveza. Mesmo assim, não esqueçamos da afirmação inicial: A diferença de preço é assustadora.
Alego, também, que é um absurdo um pneu de bike custar R$ 300,00, equanto um pneu de carro 1.0 custa R$ 90,00. Aí me respondem que um pneu especial de Jipe custa R$ 350,00 e é mais caro porque tem tecnologia empregada, assim como o de bike. Desculpem-me, mas continua intacto o raciocínio acima. Esse pneu de R$ 350,00 tem material para fazer pelo menos 20 pneus de bike, e o frete dele é bem mais caro, porque pesa mais também. Então, produto de tecnologia por outro, o de Jipe deveria custar R$ 7000,00, seguindo o padrão de preço das bikes.
Dizem-me que um câmbio XTR é algo quase perfeito e muito leve, o que justificaria o altíssimo preço. Com o devido respeito, peguem um câmbio desses na mão e verifiquem onde estão os R$ 500,00 que pedem por ele! Ora, um câmbio alemão Sachs/Sram com sete marchas internas, que podem ser trocadas com a bicicleta parada, da primeira para a sétima, por exemplo, custa DM 160,00 (cento e sessenta marcos), menos de R$ 150,00! Esse câmbio tem durabilidade muito grande e custa muito menos que um XTR. Ah! Então por que o pessoal não usa? Não usa aqui! Na Europa todo mundo está usando para Down Hill o Dual Drive Sachs, com sete catracas e três marchas dentro do cubo.
Motocicletas importadas para competição de Moto Cross chegam ao Brasil pelo dobro do preço de uma bike de down hill. Só que a motocicleta tem motor e peças extremamente reforçadas para agüentar a força de dezenas de Horse Power e não apenas das pernas de um ciclista. Têm sistema elétrico e tudo mais. Se seguissem a lógica dos preços da bike deveriam custar o preço de uma Ferrari.
Bom, mas o pessoal não desiste, dizem-me que o consumo de peças de bike desse nível é muito baixo, portanto o custo é caro. Ora, aqui na minha cidade conheço várias dezenas de pessoas com bikes com peças nobres da Shimano, por exemplo, e não sei nem de cinco com motos RY 125 da Yamaha, por exemplo. Não serve como desculpa, a produção mundial para peças de mountain bike é enorme e a mesma fábrica que produz peças caras também produz as populares vendidas em massa pelo mundo todo, basta entrar em um super-mercardo e ver quantas bicicletas a venda estão equipadas com câmbios Shimano.
Ciclistas Conscientes e Ciclistas Iludidos
Por que muitos ciclistas defendem um sistema que vilipendia a si mesmos? Por que defendem aqueles que tiram seu dinheiro para dar-lhes em troca uma tecnologia de falácia, de baixa resistência, que tem que ser reposta a cada dois ou três anos de uso regular? Essa questão me intrigou um bocado, mas depois, comecei a observar atentamente o pessoal do mundo bike e procurei em mim mesmo vestígios dos momentos em que senti orgulho dos componentes da minha bike e encontrei algo interessante.
Respondendo: Por que ciclistas defendem os altos preços?
Existem pelo menos quatro motivos, mas um sobressai flagrantemente e provocará reações adversas contra minha pessoa só pelo fato de afirmar isso:
1) Bicicleta, na sociedade atual, é meio de transporte de pobre, denota falta de condições financeiras, então o sujeito de classe média que gosta de bicicletas boas tem medo de ser confundido com o estrato social mais baixo e sente orgulho em afirmar "só esta corrente custa oitenta reais", "só esta pecinha custa duzentos reais". Sentem-se diferenciados das pessoas que usam bicicletas por necessidade e isso, para a classe média de comportamento distorcido pela mídia consumista, sempre preocupada em ostentar mais do que pode, é um canto de sereia irresistível. Observe-se que em países como a Alemanha, onde as diferenças sociais são tênues, peças de altíssimo nível tecnológico e extremamente resistentes, como um torpedo Sachs/Sram de 7 marchas internas ou um jogo de freios a disco hidráulicos Magura 2001 custam apenas DM 160,00 (cento e sessenta marcos), menos de R$ 145,00, o que é uma quantia irrisória para o padrão do operariado alemão. Isso evidencia a tese, pois ausente esse fator psicológico de consumo, ausente pessoas dispostas a pagar preços superestimados, presente o preço mais justo praticado pelo sistema.
2) Pessoas ávidas por qualidade iludem-se pensando que a conseguiram por ter pago um preço alto. Mas estes logo se revoltam ao deparar com a realidade, qual seja, a alta qualidade quebra logo, desgasta, apresenta folgas, etc. "Ah, mas você está usando a bike com muito rigor!". Bom se é para usar moderadamente para ela durar bastante, prefiro as bicicletas inglesas de cinqüenta ou sessenta anos de idade que os velhinhos de Nova Veneza/SC têm. Dentro desse grupo estão aqueles conscientes dos altos preços, mas que não vislumbram saída, pois não abrem mão da performance proporcionada.
3) Pessoas que fazem parte do sistema do mundo das bikes e querem que circule cada vez mais dinheiro, pois isso, honestamente, os beneficia, como competidores, lojistas, mecânicos, e pessoas que trabalham no comércio e na indústria. Um exemplo claro desse comportamento foi o do mundo futebolístico brasileiro em 1998. Qualquer pessoa isenta tinha certeza de que a França comprara a Copa do Mundo, mas os integrantes do mundo futebolístico negavam isso a todo custo, pois isso destruiria a ilusão popular e lhes tolheria os empregos.
4) Pessoas preocupadas em superar os colegas ou rivais, demonstrando equipamento superior, o que é medido pelo preço. Essas pessoas entram em intercessão forte com o item "1" acima, em intercessão média com o item "2" e intercessão fraca com o item "3".
Observe-se que as pessoas do item "3", que são as que tomam as decisões no mundo bike, beneficiam-se do comportamento das pessoas dos itens "1", "2" e "4".
Quem pode mudar essa realidade?
Apenas uma mudança radical de comportamento poderia modificar a situação, provocando aumento de durabilidade e baixa de preços, devido a exigência do mercado, que é composto por nós.
Talvez essa mudança não se compartimente apenas ao ciclismo, mas careça de uma revolução filosófica que tenha como substância a correta hierarquização de valores. Nossa sociedade deve acordar do sono em que se encontra, amortizada da realidade pelos fugazes prazeres do consumo sem objetivos claros e realistas. Vale a pena trocar seu automóvel semi-novo por um zero, se o seu não dá qualquer problema? Devemos continuar alimentando com bio-energia esse monstro que nos aprisiona? (Vide cinema - Matrix).
Vislumbro uma sociedade livre em que se valorize mais a estabilidade social que o lucro desenfreado. Isso não é uma utopia, pois já está ocorrendo nos países nórdicos.Você acredita nesse objetivo?
Os indivíduos sensatos, adaptam-se ao mundo que os cerca; os inconformados, passam a vida toda tentando adaptar o mundo à sua maneira de pensar. Entretanto, toda nossa evolução e progresso ocorreu graças a inconformados ... (George Bernard Shaw)
Converse com seus amigos ciclistas, plante essa semente em seus corações! Só comprem bicicletas novas, peças e acessórios se realmente for necessário. Gaste seu dinheiro passeando e curtindo a bike-vida! Logo vão nos oferecer algo melhor que peças que duram um ano.
Eder Giovani Savio - bike@eder.com.br
Nasce o Bikes na Rede...
Aqui nasce o Bikes na Rede, um blog que tem como principal objetivo a troca de informações entre os amantes do mundo ciclístico. Sejam eles MTB's, ciclistas de estrada, cicloturistas dentre outros. Aqui caberão comentários sobre peças, bikes, provas, cicloviagens, treinamento enfim, tudo de interesse do mundo ciclístico.
Sejam bem vindos e aguardem em breve o primeiro artigo.
Abraços.
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